Um consórcio formado por 12 das maiores operadoras de apostas licenciadas no Brasil anunciou nesta semana um investimento conjunto de R$ 200 milhões no desenvolvimento de um sistema unificado de inteligência artificial para detecção de fraudes, manipulação de resultados esportivos (match-fixing) e lavagem de dinheiro. O sistema, batizado de SafeBet AI, deve entrar em operação parcial em junho de 2026, antes do início da Copa do Mundo.
Como funciona o sistema
O SafeBet AI utiliza modelos de machine learning treinados com dados de mais de 500 milhões de apostas realizadas no mercado brasileiro desde o início da regulamentação. O sistema monitora padrões de apostas em tempo real, cruzando informações entre as 12 operadoras participantes para identificar movimentos suspeitos que seriam invisíveis quando analisados isoladamente. "Se um apostador faz apostas atípicas em um jogo da Série B simultaneamente em cinco plataformas diferentes, o sistema detecta em segundos", explicou Carolina Mendes, CTO da plataforma e ex-engenheira do Nubank.
Parceria com entidades esportivas
O consórcio firmou parcerias com a CBF, a Confederação Brasileira de Tênis e a Liga de Basquete Nacional para compartilhamento de dados e alertas. A Sportradar, empresa suíça especializada em integridade esportiva, fornece a infraestrutura de monitoramento de odds globais que alimenta o sistema. Segundo dados da Sportradar, o Brasil registrou 47 alertas de possível manipulação de resultados em competições esportivas em 2025 — número 60% superior ao de 2024 e que motivou a criação do consórcio.
A SPA apoiou formalmente a iniciativa e informou que os dados do SafeBet AI serão integrados ao seu próprio sistema de monitoramento regulatório. O Ministério da Justiça, por meio da Polícia Federal, também manifestou interesse em utilizar os alertas do sistema como subsídio para investigações criminais. A expectativa é que o sistema reduza em até 40% o tempo de detecção de atividades suspeitas, permitindo ação preventiva antes que os resultados esportivos sejam concluídos.
O investimento reflete uma tendência global no setor de iGaming. Nos Estados Unidos, a American Gaming Association investiu US$ 150 milhões em sistemas similares. No Reino Unido, a Gambling Commission exige que todas as operadoras tenham sistemas automatizados de detecção desde 2024. Para o mercado brasileiro, a iniciativa é vista como um passo importante para a maturação regulatória e para a construção de credibilidade junto à opinião pública, que frequentemente associa apostas esportivas à corrupção no esporte.