Bets já valem R$ 2,5 bilhões para o Fisco em 2026
A Receita Federal divulgou nesta terça-feira (24/03) dados que confirmam a explosão do mercado regulamentado de apostas no Brasil: a arrecadação com casas de apostas — as bets — somou R$ 2,5 bilhões no primeiro bimestre de 2026, um salto de 236% em comparação com o mesmo período de 2025, quando o valor foi de R$ 756 milhões.
Em fevereiro de 2026 isolado, a arrecadação atingiu R$ 1,0 bilhão. O crescimento reflete a consolidação da regulamentação do mercado de apostas de quota fixa, com as regras entrando em vigor plenamente a partir de 1º de janeiro de 2025.
Por que a arrecadação disparou?
A regulamentação estabeleceu critérios claros para o funcionamento das operadoras: tributação sobre GGR (Gross Gaming Revenue), licenciamento obrigatório pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) e obrigações de reporte ao Fisco. Com a formalização do mercado, a Receita Federal passou a identificar receitas que antes operavam na informalidade.
O imposto de 12% sobre o GGR foi implementado em 2025 com a sanção da lei regulamentadora. Mas as empresas e apostadores já devem se preparar para um ambiente tributário mais exigente à frente.
Tributação vai aumentar progressivamente
Em dezembro de 2025, o Congresso aprovou o PLP 128/2025, que eleva gradualmente a carga tributária sobre as empresas de jogos de azar:
- 2026: 13% sobre GGR (alta já em vigor)
- 2027: 14%
- 2028: 15%
A medida busca equilibrar o crescimento do setor com a necessidade de reforçar o caixa público. Para os operadores, o aumento gradual dá previsibilidade — mas também comprime margens num mercado que ainda está em fase de consolidação.
O que isso significa para o setor
O dado de R$ 2,5 bilhões em dois meses é um termômetro importante: o mercado regulamentado brasileiro já é relevante o suficiente para impactar significativamente a arrecadação federal. Atualmente, mais de 186 operadoras estão licenciadas pela SPA, e o volume apostado cresceu 32,6% no segundo semestre de 2025, saltando de R$ 442,8 bilhões para R$ 587,2 bilhões.
Para as operadoras, o desafio é duplo: demonstrar compliance impecável para manter licença e, ao mesmo tempo, absorver o aumento progressivo de carga tributária sem perder competitividade. O cenário reforça a importância de estruturas financeiras e fiscais robustas desde agora — quem não se adaptar no curto prazo estará em desvantagem crescente.
O relatório completo da Receita Federal com os dados de arrecadação do bimestre está disponível no portal oficial do Fisco.