O Sistema Nacional de Autoexclusão (SNA), plataforma desenvolvida pela Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA) que permite ao apostador se bloquear simultaneamente em todas as 186 operadoras licenciadas no Brasil, completou seu primeiro mês de operação com 150 mil cadastros — número que supera em 200% a projeção inicial de 50 mil adesões no período. O sistema, acessível via portal Gov.br e pelo aplicativo da SPA, é considerado um dos mais avançados do mundo em termos de abrangência e integração tecnológica.
Como funciona o sistema
O SNA permite que o apostador escolha entre períodos de autoexclusão de 6 meses, 1 ano, 3 anos ou permanente. Ao ativar a autoexclusão, o CPF do usuário é imediatamente comunicado a todas as operadoras licenciadas via API segura, que têm prazo de 2 horas para bloquear o acesso e devolver o saldo existente na conta. Durante o período de exclusão, o apostador não pode abrir novas contas em nenhuma plataforma licenciada, e tentativas de cadastro são bloqueadas automaticamente pelo cruzamento de CPF.
Perfil dos usuários
Dados preliminares divulgados pela SPA traçam um perfil dos primeiros 150 mil cadastrados: 72% são homens, a faixa etária predominante é 25 a 34 anos (38%), e o valor médio perdido antes da autoexclusão é de R$ 12.400. Chama atenção que 28% dos cadastrados reportaram gastar mais de 4 horas por dia em plataformas de apostas, e 15% declararam ter contraído dívidas em função da atividade. "Esses dados confirmam o que os estudos internacionais já mostravam: existe um segmento significativo da população que precisa de ferramentas de proteção ativa", avaliou Dr. Hermano Tavares, coordenador do Ambulatório de Jogo Patológico do Hospital das Clínicas da USP.
O sistema também implementou o recurso de "alerta de comportamento de risco", que envia notificações automáticas a apostadores cujos padrões de jogo indicam possível desenvolvimento de comportamento problemático — como aumento progressivo de depósitos, sessões noturnas prolongadas ou tentativas repetidas de recuperar perdas (chasing). A funcionalidade é baseada em algoritmos desenvolvidos em parceria com a Universidade de Sydney, referência mundial em pesquisa sobre jogo problemático.
A experiência brasileira tem sido observada com interesse por reguladores internacionais. O modelo de autoexclusão unificada nacional existe em poucos países — sendo os mais conhecidos o GamStop (Reino Unido) e o OASIS (Alemanha). O sistema brasileiro é considerado tecnologicamente superior por integrar identificação via Gov.br, comunicação em tempo real com todas as operadoras e monitoramento comportamental preditivo. A SPA planeja publicar o primeiro relatório completo sobre o SNA em junho de 2026, incluindo dados sobre reincidência e eficácia do sistema na redução de danos.