A International Betting Integrity Association (IBIA) publicou seu relatório anual de integridade, revelando um aumento de 30% nos alertas de apostas suspeitas globalmente em 2025. Foram registrados 236 alertas em 13 esportes e 70 países, contra 182 no ano anterior. O futebol liderou com 52% dos casos, seguido por tênis (18%) e esports (12%).
O crescimento nos alertas reflete tanto o aumento na sofisticação dos sistemas de monitoramento quanto a expansão dos mercados regulados, que passaram a reportar mais dados. A IBIA monitora mais de US$ 850 bilhões em volume de apostas anualmente, cobrindo mais de 165 operadores licenciados em todo o mundo.
"O aumento nos alertas não significa necessariamente mais corrupção — significa que nossos sistemas estão mais eficientes em detectar anomalias", explicou Khalid Ali, CEO da IBIA. "No entanto, é preocupante o crescimento em esports e ligas de futebol de divisões inferiores, onde a fiscalização é menos rigorosa e os atletas são mais vulneráveis financeiramente."
O Brasil aparece no relatório como um dos mercados que mais evoluíram em termos de cooperação com a IBIA. A SPA estabeleceu em 2025 um acordo formal de compartilhamento de dados com a entidade, e operadores brasileiros licenciados são obrigados a reportar movimentações suspeitas. A IBIA recomenda que reguladores invistam em educação de atletas e fortaleçam mecanismos de denúncia anônima como pilares de uma estratégia preventiva eficaz.
A análise detalhada dos dados revela padrões geográficos preocupantes. A região da Ásia-Pacífico concentrou 38% dos alertas, seguida pela Europa (29%) e América do Sul (15%). As ligas de futebol de divisões inferiores na Europa Oriental e no Sudeste Asiático foram identificadas como os ambientes de maior risco, com atletas recebendo salários baixos e expostos a abordagens de redes de manipulação de resultados que operam transnacionalmente.
No segmento de esports, que registrou crescimento de 45% nos alertas em comparação com 2024, a IBIA identificou vulnerabilidades estruturais. Torneios menores, com premiações reduzidas e pouca cobertura midiática, são alvos preferenciais de manipuladores. A entidade estima que o volume global de apostas em esports ultrapassou US$ 20 bilhões em 2025, criando incentivos econômicos significativos para a corrupção em competições com menor supervisão.
O tênis, historicamente um dos esportes mais afetados por manipulação de resultados, apresentou uma tendência mista. Enquanto os alertas em torneios do circuito principal da ATP e WTA diminuíram 12%, os casos em torneios ITF de nível inferior aumentaram 28%. A International Tennis Integrity Agency (ITIA) intensificou suas operações em 2025, resultando em 14 banimentos e 22 investigações em andamento.
Para o mercado brasileiro, o relatório traz implicações diretas. Com o primeiro ano completo de operação regulada, o Brasil registrou sete alertas formais junto à IBIA — número considerado baixo em comparação com mercados de tamanho similar, mas que especialistas atribuem ao estágio inicial de maturidade dos sistemas de monitoramento. A SPA investiu R$ 45 milhões em infraestrutura de compliance e monitoramento durante 2025, incluindo a contratação de sistemas de inteligência artificial capazes de analisar padrões de apostas em tempo real.
Entidades esportivas brasileiras também têm ampliado seus programas de integridade. A CBF lançou em 2025 um programa de educação sobre manipulação de resultados que atingiu mais de 3.000 atletas das séries A, B e C do Campeonato Brasileiro. O programa inclui workshops presenciais, materiais educativos e um canal de denúncia anônima que já recebeu mais de 200 comunicações desde sua implementação.
A IBIA recomenda uma abordagem em múltiplas frentes para combater a manipulação de resultados: fortalecimento da cooperação entre reguladores de apostas e entidades esportivas, investimento em tecnologia de monitoramento, programas educativos para atletas em início de carreira, e harmonização legislativa entre jurisdições para facilitar investigações transfronteiriças. O relatório destaca que a integridade das apostas é um bem público global que requer ação coordenada entre governos, operadores e organizações esportivas.