O mercado de apostas esportivas dos Estados Unidos encerrou 2025 com receita bruta de US$ 15,2 bilhões, crescimento de 22% sobre o ano anterior, segundo dados compilados pela American Gaming Association (AGA). O volume total de apostas ultrapassou US$ 130 bilhões, consolidando os EUA como o maior mercado de sports betting do mundo em receita regulada.
Nova York manteve a liderança entre os estados, com US$ 2,8 bilhões em receita bruta, seguida por Nova Jersey (US$ 1,4 bilhão) e Illinois (US$ 1,3 bilhão). O destaque do ano foi a expansão para novos estados: Missouri e Alabama regulamentaram apostas esportivas em 2025, e o Texas avança em debates legislativos que podem abrir o maior mercado ainda não regulado do país.
A FanDuel (Flutter Entertainment) e a DraftKings continuam dominando o mercado com aproximadamente 70% de market share combinado. No entanto, a BetMGM vem ganhando terreno com estratégias agressivas de aquisição de clientes e parcerias esportivas, incluindo acordos com a NFL e a NBA. A Fanatics Sportsbook, lançada em 2024, também mostrou crescimento expressivo ao integrar apostas com seu ecossistema de merchandise esportivo.
Para 2026, analistas projetam que o mercado americano pode ultrapassar US$ 18 bilhões em receita, impulsionado pela expansão geográfica e pelo aumento da penetração mobile. A regulamentação de mercados de iGaming (cassino online) em novos estados também é considerada um catalisador importante: atualmente, apenas sete estados permitem cassino online, mas projetos de lei estão em discussão em pelo menos 12 legislaturas estaduais.
A evolução do mercado americano desde a decisão da Suprema Corte em 2018, que derrubou a lei federal PASPA e permitiu que estados individuais legalizassem apostas esportivas, é notável por sua velocidade e escala. Em menos de oito anos, o mercado passou de praticamente inexistente (com exceção de Nevada) para o maior do mundo, superando mercados tradicionais como Reino Unido e Austrália em receita absoluta.
O modelo tributário varia significativamente entre os estados e impacta diretamente a competitividade do mercado. Nova York aplica a alíquota mais alta, de 51% sobre a receita bruta de jogos, seguida por New Hampshire (50%) e Rhode Island (51% para varejo, 36% para mobile). No outro extremo, Nevada cobra apenas 6,75% e Iowa 6,75%. A média nacional ponderada situa-se em torno de 25%, o que gera debates recorrentes sobre o equilíbrio entre arrecadação fiscal e atratividade para operadores.
O impacto da tributação é visível nos resultados operacionais. Em Nova York, apesar da receita bruta líder, as margens de lucro das operadoras são significativamente menores do que em estados com tributação mais moderada. Isso tem levado a uma redução nos investimentos em marketing e bonificação ao jogador, com potencial impacto na migração de apostadores para o mercado ilegal offshore, que não é tributado.
A composição das apostas nos EUA também evoluiu. O futebol americano (NFL e college football) continua liderando em volume, representando 40% das apostas totais, seguido por basquete (NBA e college basketball) com 25% e beisebol (MLB) com 12%. No entanto, o segmento que mais cresceu em 2025 foi o de apostas em eventos ao vivo (in-play betting), que atingiu 45% do volume total de apostas mobile — crescimento de 15 pontos percentuais em dois anos.
A tecnologia mobile é o principal motor do mercado. Aproximadamente 88% de todas as apostas esportivas nos EUA são realizadas via smartphone, com as plataformas investindo pesadamente em experiência do usuário, velocidade de processamento e variedade de mercados ao vivo. A integração com transmissões esportivas — permitindo apostas sincronizadas com o que o espectador está assistindo — é considerada a próxima fronteira de crescimento.
O debate sobre a regulamentação federal continua em pauta, embora com pouco avanço concreto. Defensores de uma legislação federal argumentam que ela criaria uniformidade regulatória, facilitaria o combate à fraude e permitiria apostas interestaduais em pools compartilhados. Opositores, liderados por estados com alta arrecadação, preferem manter a autonomia regulatória estadual.
Para observadores internacionais, incluindo o mercado brasileiro, o modelo americano oferece lições valiosas. A experiência dos EUA demonstra que mercados regulados podem crescer rapidamente quando há clareza jurídica e infraestrutura tecnológica adequada, mas também alerta para desafios como a concentração de mercado, a pressão por gastos insustentáveis em marketing e a necessidade de programas robustos de jogo responsável.