Um estudo recente sobre o perfil dos apostadores brasileiros revela que as mulheres ampliaram significativamente sua presença nas plataformas de apostas online em 2025, enquanto o mercado como um todo registrou 26,4 bilhões de acessos ao longo do ano. Os dados mostram uma diversificação do público que desafia estereótipos tradicionais sobre o perfil do apostador.
A participação feminina cresceu de 28% para 35% dos apostadores ativos em plataformas licenciadas, segundo estimativas de mercado. O crescimento é atribuído a múltiplos fatores: patrocínios em esportes femininos (como o Brasileirão Feminino, onde metade dos times tem casas de apostas como patrocinadoras), produtos de cassino online que atraem público diverso, e campanhas de marketing mais inclusivas.
Operadoras estão adaptando suas estratégias. Plataformas como Betano, bet365 e Esportes da Sorte lançaram seções dedicadas e promoções específicas para engajar o público feminino. A oferta de jogos de cassino ao vivo com dealers femininas e a presença de influenciadoras do setor nas redes sociais são tendências que se consolidaram no último ano.
Especialistas alertam, porém, que o crescimento da base de apostadoras deve vir acompanhado de programas de jogo responsável adaptados. "Mulheres tendem a buscar ajuda mais tardiamente para problemas com jogo, o que torna a prevenção ainda mais importante", observou uma psicóloga especializada em comportamento de risco. O teleatendimento do SUS para apostadores, lançado em março, é visto como um avanço importante para atender este público de forma acessível e confidencial.
A análise demográfica detalhada revela tendências ainda mais reveladoras sobre o perfil das apostadoras brasileiras. A faixa etária predominante entre as mulheres que apostam online é de 25 a 34 anos, representando 42% do público feminino nas plataformas. Diferentemente do público masculino, que tende a se concentrar em apostas esportivas tradicionais, as mulheres apresentam maior diversificação em suas preferências, com 58% do tempo gasto em jogos de cassino online — especialmente slots, roleta ao vivo e crash games — contra 42% em apostas esportivas.
O papel das redes sociais na atração do público feminino para as plataformas de apostas é significativo e merece atenção regulatória. Influenciadoras digitais com milhões de seguidoras passaram a promover marcas de apostas em conteúdos de estilo de vida, integrando a atividade ao cotidiano de forma naturalizada. Dados de monitoramento indicam que menções a plataformas de apostas por influenciadoras cresceram 180% entre 2024 e 2025, com engajamento médio superior ao de campanhas tradicionais.
O impacto econômico da inclusão feminina no mercado é mensurável. Operadoras que investiram em estratégias segmentadas para o público feminino reportaram aumento médio de 28% na receita por usuária ativa, em comparação com 15% de crescimento entre usuários masculinos no mesmo período. O ticket médio de depósito das apostadoras é 12% inferior ao masculino, mas a frequência de uso é 20% maior, resultando em lifetime value comparável entre os gêneros.
Do ponto de vista regulatório, o crescimento da participação feminina coloca desafios específicos na agenda da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA). Estudos internacionais indicam que mulheres apresentam padrões distintos de jogo problemático: enquanto homens tendem a escalar apostas em busca de recuperar perdas, mulheres frequentemente utilizam o jogo como mecanismo de escape emocional, o que pode dificultar a identificação precoce de comportamentos de risco pelos algoritmos de monitoramento.
A resposta do setor de saúde pública ao crescimento das apostadoras tem sido gradual. Além do teleatendimento do SUS, centros de referência em saúde mental em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte começaram a oferecer grupos terapêuticos específicos para mulheres com problemas relacionados a apostas. O Programa Nacional de Jogo Responsável, vinculado ao Ministério da Saúde, incluiu módulos específicos sobre gênero em seus materiais de capacitação para profissionais de saúde.
A tendência global confirma o fenômeno brasileiro. No Reino Unido, a participação feminina no mercado de apostas online cresceu de 30% para 38% nos últimos três anos. Na Austrália, pesquisas indicam que 40% dos apostadores online são mulheres. Nos Estados Unidos, a FanDuel reportou que o público feminino representa 35% de sua base ativa, com crescimento acelerado em estados onde apostas foram recentemente legalizadas.
Para analistas do setor, a diversificação demográfica do mercado brasileiro de apostas é um indicador de maturidade e, simultaneamente, um chamado à responsabilidade. "Um mercado saudável é aquele que cresce de forma inclusiva, mas que também protege todos os seus participantes de forma equitativa. A regulação precisa acompanhar a realidade do público que está apostando hoje, não o estereótipo de dez anos atrás", avaliou uma pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas especializada em economia comportamental.